Voltando as razões deste post, venho trazer a público uma promessa não cumprida da então candidata a prefeita de Natal, Micarla, mas como diria Renato Russo, “São só palavras: teço ensaio e cena / A cada ato enceno a diferença / ... A peça que interpreto / Um improviso insensato”.
Reunida com os Fiscais Ambientais e Urbanísticos de Natal, antes da eleição, claro!, a prefeita empenhou sua palavra que receberia a categoria no mês de março, caso fosse eleita, para discutir uma série de questões do órgão ambiental, entre elas e mais importante a questão salarial, uma vez que seus profissionais têm perdas reais da ordem de 56% por cento.
De março aos dias atuais já se passaram meses e por que a Prefeita ainda NÃO apareceu na Semurb NEM acenou com qualquer melhora salarial para os profissionais? Por que pôs a frente da Secretaria um dirigente autoritário, que fere as regras da administração pública e que tem comportamento questionável quanto à condução da gestão ambiental na capital, contrariando o que se espera do Partido Verde e de suas promessas? Era notável que a administração anterior tinha um comportamento tímido na área ambiental, mas por que a atual tem se comportado propositalmente perversa com a fiscalização?
Para se ter uma idéia, os fiscais ambientais fecharam um acordo, ainda em fevereiro de 2009, com o atual gestor ambiental para que ele implantasse o Adicional Noturno até fim de abril, mas desde maio que não há fiscalização após as 22h porque o adicional não foi implantado, mesmo tendo parecer favorável da Assessoria Jurídica desde março de 2009. Como se pode ler esse episódio? Falta de vontade política? Enquanto isso a população sofre com a poluição sonora sem controle.
Por que absurdos vêm sendo cometidos à revelia da lei, como o caso do servidor que foi punido com transferência e perda de gratificações por ter reclamado das condições de trabalho? A punição precedeu qualquer processo administrativo disciplinar o que fere a Lei Orgânica, o Estatuto do Servidor, a razoabilidade e proporcionalidade inerentes ao serviço público. Com a intervenção do SINSENAT o servidor foi restituído ao seu posto, mas teve suas gratificações retiradas e sua folha funcional foi marcada com a punição, sem direito ao contraditório. É assim mesmo a gestão “DEMocrática” em Natal ou foi apenas um lapso?
Existem fatos curiosos como certa compensação ambiental feita com uma construtora, cujo termo de compromisso assinado, pelo próprio gestor, indica que os equipamentos comprados pela empresa serão de uso exclusivo da fiscalização, mas que o gestor faz questão de não repassar o material. É a velha e conhecida política do pires na mão, muito adotada pelos caudilhos nos grotões do Brasil, mas que volta com força na capital potiguar? E eu que achava que no século 21 os caudilhos seriam coisas de museu. Por que se pune tanto os profissionais da fiscalização? Será que estão desagradando? A quem? Será que são ruins o suficiente para atrapalhar um projeto de cidade?
Finalizando esse “textículo” – pois já estou com náuseas só de lembrar do dia-a-dia – tenho esperança que seja possível mudar o curso de um rio e quero me esforçar para acreditar que a Prefeita não sabe o que rola no órgão ambiental do município e, quando souber, espero que alguma luz se acenda no meio dessa estrada, mas que venha para ajudar a ver o caminho e não encadiar os transeuntes.
Quanto a ser recebido pela Prefeita para discutir qualquer coisa, ah, isso sim é uma utopia moderna. Discutir salário então, não! Isso é conto de fadas!
É muito provável que eu seja punido/perseguido por estar escrevendo isso aqui, já que existem os ditadores e também os calabouços. Não seria a primeira vez! Como já sou o alvo preferido da sua neurose que acha que eu quero desestabilizar a gestão - detalhe - a mando de terceiros, porque certamente eu não sei pensar, pois subordinados não devem pensar, devem obedecer e “relativizar a lei”, como costuma dizer.


